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Vacinação infantil tem queda preocupante

Publicada em 27/05/2022 às 09:53h

por Jornal da Manhã


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Vacinação infantil tem queda preocupante

Embora as vacinas sejam aplicadas gratuitamente nos postos de saúde da rede pública, a imunização infantil vem caindo de forma vertiginosa no Brasil e hoje se encontra nos níveis mais baixos dos últimos 30 anos.

Em 2021, em torno de 60% das crianças foram vacinadas contra a hepatite B, o tétano, a difteria e a coqueluche. Contra a tuberculose e a paralisia infantil, perto de 70%. Contra o sarampo, a caxumba e a rubéola, o índice não chegou a 75%. A baixa adesão se repetiu em diversas outras vacinas. Para que exista a proteção coletiva e o Brasil fique blindado contra as doenças, o recomendável é que entre 90% e 95% das crianças, no mínimo, estejam imunizadas.

A queda da vacinação contra essas doenças no Brasil preocupa a comunidade médica, que teme que, se esse quadro de baixa vacinação for mantido, o País poderá assistir a novas catástrofes sanitárias, com o ressurgimento de epidemias que eram comuns no passado.

Conforme levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que analisou dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI), em três anos a cobertura vacinal caiu de 93,1%, em 2019, para 71,49%, em 2021, o que significa que três em cada dez crianças no País deixaram de tomar doses de imunizantes necessários à proteção contra doenças fatais. No Rio Grande do Sul, o cenário se repete com a diminuição da taxa vacinal entre as crianças.

A queda generalizada começou em 2015 e atingiu a pior marca em 2021. Até 2014, não havia resistência. Os pais prontamente atendiam às chamadas do Ministério da Saúde e levavam seus filhos aos postos. A cobertura vacinal costumava ficar acima dos 90%, por vezes alcançando os 100%.

Entre as causas apontadas por especialistas para a diminuição da vacinação estão a pandemia do novo coronavírus, a interrupção de serviços essenciais de saúde e o surgimento de movimentos antivacinas no Brasil, que influenciaram, inclusive, na retirada do selo de País livre de doenças. 

Coordenadora da Atenção Básica da Secretaria Municipal de Saúde Ijuí, Salester Ruver salienta que muitos pais estão relutantes para aplicar vacinação em seus filhos, justamente pela questão envolvendo os movimentos antivacina. "Tem grupos que estão maiores e mais fortes trabalhando para que as pessoas não se vacinem, mas o que a gente têm que levar a conhecimento é que todas as doenças que são vitáveis através das vacinas foram erradicadas, justamente pela vacinação", comenta.

De acordo com Salester, as vacinas de rotina têm tido procura, mas a cobertura vacinal ideal não tem sido a adequada. "Os pais estão nos procurando. Às vezes com atraso, mas estão procurando. Nossa maior dificuldade hoje é com as vacinas da gripe (Influenza), que há muita negação. Os pais nos procuram para vacinar contra o sarampo, oferecemos a vacina da gripe, mas eles não querem, tem dúvida sobre eficácia", relata.

Uma das causas que pode também incentivar a queda nas imunizações, é o próprio sucesso da vacinação em massa na fase anterior. O PNI foi criado pelo Ministério da Saúde em 1973 e logo se tornou referência internacional. Graças a ele, muitas doenças praticamente sumiram do Brasil. A paralisia infantil, especificamente, desapareceu por completo — o último caso no território nacional foi registrado em 1989, na Paraíba.

Por causa desse sucesso, os pais mais jovens não testemunharam as epidemias, sequelas e mortes tão comuns em outros tempos e podem ficar com a sensação de que essas enfermidades são inofensivas ou simplesmente não existem mais. Seria, portanto, perda de tempo vacinar os filhos. Um terceiro motivo são as notícias falsas e informações distorcidas a respeito das recém-criadas vacinas contra o vírus da covid-19, que minaram, de certa forma, a credibilidade de todas as demais vacinas. O governo federal contribuiu nisso, com campanha informando que os pais poderiam escolher se queriam vacinar suas crianças ou não.

 










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